terça-feira, 27 de setembro de 2011

Por enquanto

O tempo preso à sua mão penetra minha pele, como se tentasse solver o instante que nos encontrou tardiamente. Mas o que é tarde quando há um encontro? São as suas cores que não me deixam partir. Elas murmuram meu nome sem eternidade, não prometem nada, e eu sei que estarão aqui quando eu perder a voz... Esse caminho não pode ser oposto se pudemos nos cruzar. Enquanto os olhos estiverem refletindo no mesmo lugar, não vai importar a posição que a vida seguir, porque meus olhos já escolheram suas cores incertas. E foi por não saber que seria você, que eu escolhi.

Teresa Coelho
27/09/2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Última de agosto

Não pude escolher o sol que iria brilhar por último quando todos se foram, e apenas as sombras entre duas camadas do ponto de partida puderam me escolher: a distância delas. Você vem depressa só para dizer “vá com calma, porque além de tudo, o nada não existe mais’’; mas é você, é você que não está sabendo existir além desse nada. Quando estivermos dançando entre o mesmo líquido que geme dentro da pele, não me deixe sair mais, deixe que eu morra no mesmo fluxo, do mesmo fluxo... Absorva! Eu não quero parar só porque tudo parou, eu não termino onde você se desfez de mim. São duas distâncias, e é esse o fim de uma história paralela: não se tocam. O que terminou foi minha projeção, a música continua... E eu vou voltar para dizer que ‘’eu fui com calma, porque além do nada, o tudo não existia mais”.

Teresa Coelho
30/08/2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vem

Eu que não sei nem a metade do que você gosta de sentir, mas hoje queria saber o que faz o seu sorriso nascer. Queria descolar o suor da sua pele dentro do meu corpo, e todos os nossos fluidos, guardar na essência que tem o seu cheiro. Cola teu destino na minha porta, eu perdi a chave desde que você apareceu sem motivo na minha vida. Apareça sem nada, eu quero ter o seu colo para curar o nosso coração. Eu posso colecionar o azul se isso lhe fizer feliz, eu posso ser azul para lhe fazer feliz. Vem ver o sol, as pessoas, as flores, a chuva, os pássaros, o tempo passando, comigo. Me deixa apertar sua mão e beijar o encanto que você esconde. Vem de repente, sabendo que eu estou lhe esperando.

Teresa Coelho
22/08/2011

sábado, 13 de agosto de 2011

Desfiz o laço

Desisto de colorir esse azul tão sem graça, seu laço é frouxo, não há delicadeza quando você desvia o olhar para mim, não há sequer eu, nesse olhar. Farei de mim objeto de uso cortante, que bebe sonhos em volúpias, soluçando e desacreditando de sonhar. O que há de errado em ser por inteiro sempre a metade de alguém? Deixa-me lamber o espelho que lhe quebra a verdade. Mas é isso que eu me sinto: pausas que doem. E não há mais nada que me faça prosseguir, assim sem pausas, só com meu coração batendo solto, e meu.

Teresa Coelho
12/08/2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nudez sob o céu

Achei que pudesse transpassar a vida que separa o reflexo do vidro
Fomos duas peças intransitáveis no sol
Sob o sol só as promessas nuas sobrevivem...
Tentei encontrar dentro do amargo o que se foi enquanto eu desenhava meu medo
Tentei colar nossos medos...
O abandono suposto do beijo borrou o desenho
Desenho que nunca escapou de sonhos...
Escapa rabiscos de sal e dor dos meus olhos
Só eu fiquei nua sob o sol
E sob a chuva...
Meu fardo é não saber dançar enquanto você se despoja leve no céu...
Ofego, ofego, ofego...
Até que falte ar e libido
Vou ofegar minha vida alimentando meu coração novo e cansado...
E até que haja alma para despir
Espojarei meu caos de estar completamente nua sem que ninguém perceba...
Porque ninguém quer perceber quando o que se oferece
É um pouco de paz, problemas e amor.

Teresa Coelho
29/07/2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pedaço

Acordo desmanchada por fora, por dentro é quase uma falta de tinta. Acabaram-se as misturas, o colorido, o tecido. A espera é muda, mas você sabe que eu estou gritando, só você sabe o quanto eu continuo gritando... Estar em lugar nenhum é estar correndo atrás e através de mim, não há ponte que me ligue à concreta, absoluta e transparência leveza. Sou pesada por estar viva. E esses pedaços que vão decompondo o amor talvez não precisem mais de você, precisem de mim. Mas eu, onde estou? É como se eu fosse sumindo sem ser mais minha... Um pedaço a parte, um pedaço inteiro em pedaços.

Teresa Coelho
01/07/2011

domingo, 12 de junho de 2011

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''Até onde bate um coração? Aonde vão parar os ecos? Os ecos que não querem mais ouvir a própria dor.''

Teresa Coelho
12/07/2011