Eu não pude evitar, eu nunca quis evitar. Eu sempre soube. E saber foi ter na vida um poder de culpa. A partir de hoje eu me abandono, e quem abandona, jamais terá paz até reencontrar o que se deixou ir. Sim, eu sei. Mas eu permito me amargar mais um pouco no fim dessa madrugada... Eu não senti mais o gosto de cerejas, eu queria ter o gosto delas, não o gosto que a gente sente, mas o gosto que elas sentem. Eu poderia me abandonar todas as noites, que não iria mudar o motivo desse abandono, porque ele não existe. Ele não existe enquanto você também existir dentro de mim. Nenhum vazio vai me cobrir como a sua ausência me cobre, nenhuma palavra vai mexer tanto comigo como a sua indiferença mexe, nenhum motivo me fará mais amor, do que você. Desde que você saiu da minha vida, eu nunca mais comi cerejas, na verdade, você nunca entrou. E no momento que eu me deixo ir, no momento que me deixo ser, a liberdade de nada não funciona. Eu deixei tudo que existia de bom em mim, ir com a sua felicidade... Eu mantinha você todo o tempo dentro da minha alma, ninguém podia te fazer mal. Mas você foi embora, e como numa história estúpida de corações partidos, eu paro por aqui de falar sobre nós. Uma coisa que nunca houve entre mim e você: um começo.
(TERESA COELHO)
26/01/2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Desabafo
Pensando pela metade do meu mundo, é sujo ser-me. Povoar todos meus anseios e todas as minhas loucuras é uma tarefa que não ouso pensar. Você já pensou em me mastigar? Comece pelo meu cheiro, que quase não exala meu sabor cansativo. Ou prefira não mastigar, afinal, você sempre acaba fugindo do que realmente quer provar. Sopre a minha história desprovida de música, devore o meu jardim verde de bonecas quebradas e palavras inversas. Me engole pelo avesso, e me inventa outra vez! Renasça em mim. O tom da sua presença se mistura e acaba comigo, você é sutilmente tomada por resumos indefinidos dessa paixão que eu tento lhe mostrar, pára de fugir do meu esboço... Sei que eu não tenho cores, mas me aceita de olhos fechados e me pinta com a sua boca. Rasga a minha cápsula envergonhada de só sonhar, rasga por ventura a imensidão do quanto que eu ainda serei sua, deixa-me sem ar; só por malícia, prejudica e semeia o seu amor pelo resto da minha vida. E aqui, nessa vida eu quero sentir a culpa de pensar que derramo todo o meu prazer em cima dos seus seios, demasiadamente, longe da minha falsa realidade; sonhar é real. A sede que alimenta os peixes dos meus músculos pulsa pra lhe alcançar e lhe beber o corpo, feito líquido que anda escasso de ser bebido.
Teresa Coelho/ 16-12-2009
Teresa Coelho/ 16-12-2009
Confesso
Confesso que o teu sabor me persegue nos sonhos.
Um calafrio que vem por dentro...
De baixo para cima.Eu preciso sorrir...
Mas de que forma?
Nossa respiração é tão constante em meio que me afago num vácuo que existe no cansaço...
Parecia sujo eu ter sentido a tua epiderme secreta...
Inexpressível a vontade de tê-la.
Insaciável a sede da cápsula que cobre minha alma...
Posso ser em meio há tanto um pouco menos...
Talvez volte o desejo de ter o sangue frio...
À medida que ele escorra pela brancura do meu ser
E que ele arda no meu ventre, à procura do amor.
No sofrimento que me bate, por cada volta que parei de olhar...
O encontro de duas pessoas, às vezes, é tão impiedoso quanto o desencontro...
Que alívio eu sinto no ar que respiro...
Toda noite eu encontro o meu toque e pareço morta...
Minha inocência despida sem maldade?
De tanto que fui quero voltar a ser o que jamais serei...
E como não ser, pareço estar.
Agora que tudo vazou da minha mão...
Eu tenho um pouco de nada...
Quebrado e engolido...
Nesse barulho eu gosto de habitar...
Corroendo a minha mente, procurando-a em alguma coisa que já se foi...
Dentro de mim.
(Teresa Coelho)
Um calafrio que vem por dentro...
De baixo para cima.Eu preciso sorrir...
Mas de que forma?
Nossa respiração é tão constante em meio que me afago num vácuo que existe no cansaço...
Parecia sujo eu ter sentido a tua epiderme secreta...
Inexpressível a vontade de tê-la.
Insaciável a sede da cápsula que cobre minha alma...
Posso ser em meio há tanto um pouco menos...
Talvez volte o desejo de ter o sangue frio...
À medida que ele escorra pela brancura do meu ser
E que ele arda no meu ventre, à procura do amor.
No sofrimento que me bate, por cada volta que parei de olhar...
O encontro de duas pessoas, às vezes, é tão impiedoso quanto o desencontro...
Que alívio eu sinto no ar que respiro...
Toda noite eu encontro o meu toque e pareço morta...
Minha inocência despida sem maldade?
De tanto que fui quero voltar a ser o que jamais serei...
E como não ser, pareço estar.
Agora que tudo vazou da minha mão...
Eu tenho um pouco de nada...
Quebrado e engolido...
Nesse barulho eu gosto de habitar...
Corroendo a minha mente, procurando-a em alguma coisa que já se foi...
Dentro de mim.
(Teresa Coelho)
A superfície acima de nós...
Está por baixo...
Eu estou aqui e não vou parar de chorar...
Estou chorando?
Só queria o tempo perto de mim...
O gosto do sangue dá para amargar na ferrugem da minha vida...
Sinto a culpa de estar culpada...
Talvez por ter nascido na época errada...
Pergunto se realmente estou deslocada...
De onde afinal? De quem?
Permaneço intacta, e é isso que me preocupa...
As pontes que ligavam o sonho, a ilusão e a vida, se posicionaram fora de mim...
Foi como um último pedido, o desejo.
Como é que faz o cruzamento de uma coisa?
Não existir, eis a questão...
Façam essa questão!
Queria escrever um segredo...
Mas e se alguém contar?
Fico então por aqui, se for possível invente um e me conte...
Se eu gostar, eu revelo o que eu não tinha para dizer...
(Teresa Coelho)
06-10-2008
Está por baixo...
Eu estou aqui e não vou parar de chorar...
Estou chorando?
Só queria o tempo perto de mim...
O gosto do sangue dá para amargar na ferrugem da minha vida...
Sinto a culpa de estar culpada...
Talvez por ter nascido na época errada...
Pergunto se realmente estou deslocada...
De onde afinal? De quem?
Permaneço intacta, e é isso que me preocupa...
As pontes que ligavam o sonho, a ilusão e a vida, se posicionaram fora de mim...
Foi como um último pedido, o desejo.
Como é que faz o cruzamento de uma coisa?
Não existir, eis a questão...
Façam essa questão!
Queria escrever um segredo...
Mas e se alguém contar?
Fico então por aqui, se for possível invente um e me conte...
Se eu gostar, eu revelo o que eu não tinha para dizer...
(Teresa Coelho)
06-10-2008
A vida se afasta de mim...
E quando chegará o fim da Vida?
O amor de sua alma...
Acaba...
Desgasta...
Despedaça...
Desprende...
E diz tantas coisas antes mesmo de nos dizer tudo...
Em ambientes fechados não há respostas para presença de alguma luz...
Essa chama,queima chamando,queima matando...
E o que estava escondido foi o que se perdeu...
Nada foi dito do meu mundo que morreu...
Nenhum horizonte poderá nos guiar,a chave,ela está em todo lugar...
O beijo mais puro é o da alma...
Que estanca todos os cortes que em teu corpo brilha...
E é tão tarde aqui dentro...
Porque lá fora a vida é uma existência...
De tão tarde nada resiste...
Adormece as nuvens...
Apodrece a alegria...
Antecede novamente a agonia...
Tão tarde que é existir!
Tão cedo que é morrer...
E haja tempo pra aprender de tudo um pouco sem querer...
Pra de repente...
Tudo se acabar...
Pra de repente...
Tudo acontecer...
(Teresa Coelho)
26-09-2008
E quando chegará o fim da Vida?
O amor de sua alma...
Acaba...
Desgasta...
Despedaça...
Desprende...
E diz tantas coisas antes mesmo de nos dizer tudo...
Em ambientes fechados não há respostas para presença de alguma luz...
Essa chama,queima chamando,queima matando...
E o que estava escondido foi o que se perdeu...
Nada foi dito do meu mundo que morreu...
Nenhum horizonte poderá nos guiar,a chave,ela está em todo lugar...
O beijo mais puro é o da alma...
Que estanca todos os cortes que em teu corpo brilha...
E é tão tarde aqui dentro...
Porque lá fora a vida é uma existência...
De tão tarde nada resiste...
Adormece as nuvens...
Apodrece a alegria...
Antecede novamente a agonia...
Tão tarde que é existir!
Tão cedo que é morrer...
E haja tempo pra aprender de tudo um pouco sem querer...
Pra de repente...
Tudo se acabar...
Pra de repente...
Tudo acontecer...
(Teresa Coelho)
26-09-2008
Acabar
Acabou, o amor, começou de acabar...que amor?
Onde está o amor?
Aonde ele foi sem mim?
Acabou...
Com todo esse tempo...
Acumulo o vazio...
Desperto o sono...
Tiro o vento de mim...
Empurro as coisas que não conseguem viver...
Mas eu vivo?
01:27 da vida,o barco nem sempre vai com a correnteza...
Talvez ele parta antes...
Afunde depois...
Sinto um medo tão besta...
E sempre acaba...
É,acabou!
Tocar no coração?Mas por quê?
Ele só bate...
Bate às vezes com muita força na gente...
Há dias que a paz não entra em mim...
E não me refez mais...S
eja livre , preso no mundo...
Acabou a dor do parto,a vida cansou de nascer...
Cansou de acabar...
De ser livre pra morrer!
Acabou...
(Teresa Coelho)
16-09-2008
Onde está o amor?
Aonde ele foi sem mim?
Acabou...
Com todo esse tempo...
Acumulo o vazio...
Desperto o sono...
Tiro o vento de mim...
Empurro as coisas que não conseguem viver...
Mas eu vivo?
01:27 da vida,o barco nem sempre vai com a correnteza...
Talvez ele parta antes...
Afunde depois...
Sinto um medo tão besta...
E sempre acaba...
É,acabou!
Tocar no coração?Mas por quê?
Ele só bate...
Bate às vezes com muita força na gente...
Há dias que a paz não entra em mim...
E não me refez mais...S
eja livre , preso no mundo...
Acabou a dor do parto,a vida cansou de nascer...
Cansou de acabar...
De ser livre pra morrer!
Acabou...
(Teresa Coelho)
16-09-2008
Quero ouvir
Deixei de notar o quanto eu respiro...
O resto que doei caiu no chão...
Num chão sem piso.
Onde eu piso...
Mostra que meu espelho tem história...
Quanta dor eles sentem...
Será que sentem o que eu sinto?
Eu nego.
Renegaram-me...
Por que estão tirando meu dom?
Ouço que os burburinhos não se calaram
Nunca vão silenciar
Numa aclamação que vem de dentro, quem escuta de fora?
Quem está dentro?
Quem é que bate na porta do meu veneno?
Eu não quero machucar a sua mão que tão devagar me acaricia...
Que tão depressa eu beijo...
Talvez seja nossa.
É nosso esse calor que às vezes procura sombra embaixo da solidão...
Da única solidão que perturba...
E há mais de uma?
Dá-me novamente a tua voz, empurra dentro do meu ouvido...
Que lateja a ponto de falar: eu quero ouvir!
A sua voz, sua voz...
Teresa Coelho
05-02-2009
O resto que doei caiu no chão...
Num chão sem piso.
Onde eu piso...
Mostra que meu espelho tem história...
Quanta dor eles sentem...
Será que sentem o que eu sinto?
Eu nego.
Renegaram-me...
Por que estão tirando meu dom?
Ouço que os burburinhos não se calaram
Nunca vão silenciar
Numa aclamação que vem de dentro, quem escuta de fora?
Quem está dentro?
Quem é que bate na porta do meu veneno?
Eu não quero machucar a sua mão que tão devagar me acaricia...
Que tão depressa eu beijo...
Talvez seja nossa.
É nosso esse calor que às vezes procura sombra embaixo da solidão...
Da única solidão que perturba...
E há mais de uma?
Dá-me novamente a tua voz, empurra dentro do meu ouvido...
Que lateja a ponto de falar: eu quero ouvir!
A sua voz, sua voz...
Teresa Coelho
05-02-2009
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