Acordo desmanchada por fora, por dentro é quase uma falta de tinta. Acabaram-se as misturas, o colorido, o tecido. A espera é muda, mas você sabe que eu estou gritando, só você sabe o quanto eu continuo gritando... Estar em lugar nenhum é estar correndo atrás e através de mim, não há ponte que me ligue à concreta, absoluta e transparência leveza. Sou pesada por estar viva. E esses pedaços que vão decompondo o amor talvez não precisem mais de você, precisem de mim. Mas eu, onde estou? É como se eu fosse sumindo sem ser mais minha... Um pedaço a parte, um pedaço inteiro em pedaços.
Teresa Coelho
01/07/2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
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''Até onde bate um coração? Aonde vão parar os ecos? Os ecos que não querem mais ouvir a própria dor.''
Teresa Coelho
12/07/2011
Teresa Coelho
12/07/2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Guardei
E eu apertei seu corpo com tanta força, como se tentasse resgatar qualquer momento que estampasse meu amor declarado. Contornei com os olhos, com a boca e os dedos sua tatuagem, gravei em mim nossa história. De alguma forma eu quis guardar você de leve, porque de leve foi como você também se foi... Saberia que seria assim: eu só existia em você enquanto havia motivos para eu existir, mas nunca precisei de motivos para ter você em mim. E nunca terei motivos para não ter. De leve a gente aprende a amar, e a esquecer...
Teresa Coelho
08/07/2011
Teresa Coelho
08/07/2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
Restou
Meu pranto é não saber esquecer que toda essa história já findou num desencontro amargo no qual só o meu desespero ainda te procura. Há você nas coisas mais repartidas da minha vida, enquanto nossos corpos seguem por marés opostas, eu piso descalça na areia que afunda minha roupa, mas deixa flutuar toda mágoa. Enforco o perdão estendido nos seus últimos carinhos e me sufoco sem perdão por não te perdoar. Valsa triste a dos corações que desatam sem chorar. Meu disfarce é o tempo, minha nudez é todo o resto.
Teresa Coelho
24/05/2011
Teresa Coelho
24/05/2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Não vai mudar
O sal que escorreu no meu rosto ficou compactado nessa linha que me separa de você, eu não consegui limpá-lo. Você me dói como quem desconhece a própria dor. Tão longe e tão perto de mim, que sempre vivi com essa angústia infinda, minha boca perde o rumo lembrando a tua acidez. Já fui a becos, botecos, tráfegos procurando alguém que, mesmo distante, me deixasse nesse estado de estar completamente sufocada de amor. Acompanho calada ao que se passa na vida, às vezes choro, grito, berro, mas não quero ninguém comentando que eu não me importo com nada, além de você. Não importa se tem uma cratera no meio do mundo matando os seres humanos, se dentro de mim há outra maior e pior que, não mata, mas inibe minha vida. É que eu não sei me declarar sem dor. Vai passar, mas eu queria muito você para ouvir respirando, guardar o cheiro, confessar baixinho que esse amor é prá sempre, observar as mãos sem nenhum motivo, abraçar e fugir de tudo. Aliás, essa noite você poderia pelo menos fingir que também pensou em mim e queria me dar boa noite.
Teresa Coelho
13/05/2011
Teresa Coelho
13/05/2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Todas as cores
Teu corpo suado no meu corpo nervoso, que corpo que corpo? Tudo se limitava no cubículo que cabia ao tatear desenfreado das mãos agonizantes e o medo de cair, cair uma dentro da outra. Dimensão. Pausa. Silêncio. Não pude voltar a mim desde que não saí de dentro dos teus lábios que esmurram minha frigidez sem graça, me perco envergonhada no teu cheiro. O jeito que tocou minha palidez foi sublime, nossa timidez não teve cor. Mas quem precisava das cores quando se tinha só a tua cor? Quem se importava se o céu estava lá ou não? Ele já estava submerso em cada poro que se arrepiava... Eu era cada poro e você cada arrepio. Nossa pele, num futuro amor.
Teresa Coelho
02/05/2011
Teresa Coelho
02/05/2011
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