sábado, 19 de novembro de 2011

Por que simples

Até quanto é profundo ser simples?
Entender a paz que eu tanto busco pode parecer superficial
É superficial o profundo?
Existe algo concreto por dentro do vácuo?
Não quero mais questionar
Mas o impulso vem dessa melancolia
Vem do vácuo indefinido
Da música da tua cor transbordando pelos meus olhos
Das coisas que se afastam durante a vida
Como quando uma parte tão significativa
Só representa mesmo uma parte...
Um dia, todas as partes incompletas se juntam
E enquanto você transborda cor
Eu vou juntando meus pedaços nos seus sonhos
Os mais densos e simples
Simples é profundo...
Você foi a coisa mais simples que eu já senti.

Teresa Coelho
19/11/2011

sábado, 5 de novembro de 2011

Preto e branco e azul

Sou tua menina em preto e branco
Roubo tua atenção mostrando o sol
Que fica de cabeça para baixo nos teus olhos
Faço carinho desajeito nos teus cabelos
Esperando minhas mãos desparecerem no teu cheiro
Eu me agarro a qualquer vulto teu
Pra colar minha poesia na tua agonia
Segurando nossas mãos na parede fria
Te levo pra perto de onde teu coração bate dentro de mim
Sou teu amor azul, passando em preto e branco.

Teresa Coelho
05/11/2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Afinal, o céu

Afinal, para que lado fica o céu? É fora ou dentro da gente? Subindo ou descendo? Se as estrelas não estão no céu, para que serve o céu? Por que quando a gente fica de cabeça para baixo o céu não muda? O que muda? Por que está todo mundo mudo? Se ele não existisse, qualquer outra coisa também seria céu? Onde vão parar as estrelas enquanto a gente não sonha? Afinal, não gosto de falar sobre o céu, mas hoje, ele tornou-se a única companhia que faz sentido não entender.

Teresa Coelho
28/10/2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Barco

Em mim não há a parte limpa que teus sonhos buscam; nasci com a realidade prostrada pedindo por compaixão. Já conheço as dores, as partidas, e cada palavra que nunca proferi por saber que alguém sempre iria colocar meu coração do avesso, só por ser eu a única opção, dentre os vultos, que não juraria amor eterno. Sou um barco velho que repintaram para nunca mais atracar no tempo. Sou feita de silêncio, e não há encanto no silêncio para quem procura a beleza macia, mas sou intrínseca quando flutuo sobre teu corpo e crua quando teus sentimentos buscam ser reais sobre o meu.

Teresa Coelho
25/10/2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Etil-fenil-amina

Vejo o tempo encobrir teu rosto; quantos amores tu tiveste antes de desembargar em meu corpo o teu destino já grisalho? Não é o fardo que aniquila meu cansaço, é a contração dos meus seios nesse encontro breve, e eterno, sobre tuas costas. Definha na luz tua acidez branca, não obstante, colo minha língua no sal das tuas pernas. Sou tua, e não só tua como também de uma parte que se esvai do teu sorriso quando não existo a ti. Tua como a parte toda que te quer para refazer o sol esquecido na memória ferida de nossos azuis passados. Só tua, e não mais que tua.

Teresa Coelho
07/10/2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Por enquanto

O tempo preso à sua mão penetra minha pele, como se tentasse solver o instante que nos encontrou tardiamente. Mas o que é tarde quando há um encontro? São as suas cores que não me deixam partir. Elas murmuram meu nome sem eternidade, não prometem nada, e eu sei que estarão aqui quando eu perder a voz... Esse caminho não pode ser oposto se pudemos nos cruzar. Enquanto os olhos estiverem refletindo no mesmo lugar, não vai importar a posição que a vida seguir, porque meus olhos já escolheram suas cores incertas. E foi por não saber que seria você, que eu escolhi.

Teresa Coelho
27/09/2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Última de agosto

Não pude escolher o sol que iria brilhar por último quando todos se foram, e apenas as sombras entre duas camadas do ponto de partida puderam me escolher: a distância delas. Você vem depressa só para dizer “vá com calma, porque além de tudo, o nada não existe mais’’; mas é você, é você que não está sabendo existir além desse nada. Quando estivermos dançando entre o mesmo líquido que geme dentro da pele, não me deixe sair mais, deixe que eu morra no mesmo fluxo, do mesmo fluxo... Absorva! Eu não quero parar só porque tudo parou, eu não termino onde você se desfez de mim. São duas distâncias, e é esse o fim de uma história paralela: não se tocam. O que terminou foi minha projeção, a música continua... E eu vou voltar para dizer que ‘’eu fui com calma, porque além do nada, o tudo não existia mais”.

Teresa Coelho
30/08/2011