domingo, 26 de fevereiro de 2012

Triste fim do azul sem céu

O amor é esse escárnio que sempre acaba rompendo meu âmago. Eu não consigo seguir um fluxo que me liberta, desde que você deixou um gosto amargo em tudo que já lhe escrevi, sinto você de fora para dentro em minha vida. Sua menina do amor azul derreteu o céu, amassou os ossos das nuvens e descobriu que elas eram livres; o azul se foi e ficou o branco, o pardo, restando esperar algum pássaro que gritasse e colorisse mais uma vez a mentira sobre a dor. Ainda sinto os fios do seu cabelo costurando meus olhos na fantasia que acobertava nossas fugas, e de todas essas fugas, eu nunca mais encontrei o caminho de volta nem tampouco percebi que você já tinha ido embora. Você se foi com o sorriso que um dia foi meu.

Teresa Coelho
26/02/2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Batom vermelho

Eu fui parida sem a parte do sêmen, por isso nunca conseguiram me deixar bonita esperando a vida sem dor. Ninguém escolhe a solidão que carrega dentro da infância. Hoje eu choro porque nunca me ensinaram a falar, porque meus olhos me encaravam no espelho e eu não podia desabar, me obrigava a passar o batom vermelho nos lábios pequenos, embaixo da cama, sem fazer barulho, sem usar espelhos. As lágrimas não deviam borrar meu batom, não deviam revelar meu rosto perdido. Eu chego perto das minhas bonecas, e elas são tão feias, mas são minhas, contam o que me reflete. Uma vez disseram que os bois viriam me pegar e iriam machucar, mas outro bicho me machucou, um bicho igual a mim, e ainda dói, ainda dói porque eu não soube falar, eu só chorava... Por culpa dele meu batom vermelho borrou, escorreu feito sangue no meu corpo virgem e feio. Tento fugir dessas ausências criando pessoas que permanecem ocupando os espaços vazios e costuram meus versos como uma desculpa por existir. Mas esta noite terminei de limpar o batom vermelho que um dia desfez meus sonhos.

Teresa Coelho
14/02/2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pros meus olhos

Guardar o teu cheiro dentro do meu sorriso. Guardar em segredo o teu sorriso.

Teresa Coelho
08/02/2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

É só

Sempre procurando um bocado da vida que eu compartilho nessa imensidão imaginária. Aqui dentro, bem dentro de mim, já não existe mais o verde; perdi-me ao buscar as memórias esquisitas que formaram minha vida. Nunca aprendi o que sentir quando estou feliz. Ela nunca compreendeu que eu só podia oferecer meus sonhos embaçados e minhas mãos pequenas como solidez. Eu não sei mais o que fazer com a sobra dessas noites sem amor, eu não sei mais o que fazer. -Memórias esquisitas da minha infância, sonhos embaçados e mãos pequenas, eu penso nessas coisas, e acho que vai ficar tudo bem amanhã, mas não vai.É como descolorir uma cor que não existe.

Teresa Coelho
31/01/2012

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Aqui

É como ser a parte do sêmen apodrecido dentro de um anjo. O sol derrete meus dias de liberdade, mas eu não sou livre. E se eu tivesse nascido do lado oposto do tempo? E se o tempo existisse no lado oposto da vida? Essa tarde eu não consegui desistir. Quando eu aprendi a flutuar, descobri que meus pés só funcionariam quando eu parasse de chorar. Flutuar anestesiou meu desespero, mas não limpou minha sexualidade. Você tem flores que se amam, e elas não escolheram, mas estavam ali, vivas. Eu estou viva.

Teresa Coelho
23/12/2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Por que simples

Até quanto é profundo ser simples?
Entender a paz que eu tanto busco pode parecer superficial
É superficial o profundo?
Existe algo concreto por dentro do vácuo?
Não quero mais questionar
Mas o impulso vem dessa melancolia
Vem do vácuo indefinido
Da música da tua cor transbordando pelos meus olhos
Das coisas que se afastam durante a vida
Como quando uma parte tão significativa
Só representa mesmo uma parte...
Um dia, todas as partes incompletas se juntam
E enquanto você transborda cor
Eu vou juntando meus pedaços nos seus sonhos
Os mais densos e simples
Simples é profundo...
Você foi a coisa mais simples que eu já senti.

Teresa Coelho
19/11/2011

sábado, 5 de novembro de 2011

Preto e branco e azul

Sou tua menina em preto e branco
Roubo tua atenção mostrando o sol
Que fica de cabeça para baixo nos teus olhos
Faço carinho desajeito nos teus cabelos
Esperando minhas mãos desparecerem no teu cheiro
Eu me agarro a qualquer vulto teu
Pra colar minha poesia na tua agonia
Segurando nossas mãos na parede fria
Te levo pra perto de onde teu coração bate dentro de mim
Sou teu amor azul, passando em preto e branco.

Teresa Coelho
05/11/2011