segunda-feira, 7 de agosto de 2017

estar numa caixa e escrever para deus

encaro o corredor
como uma estranha
abraça o medo
e não tem escolha
 --- o cheiro de éter
no casaco da senhora
inconsolável ---

a primeira agulha descartada
do dia
caiu
penetrando
sugando
toda a esperança

ao menos pudesse
a maca flutuar
para o tempo insignificante
quando apenas o sono
existia
sem corredores reais

as luzes são martelos
batem/ batem/ batem
holofotes de máscaras
constroem o caminho

ainda estão lá
o casaco / o éter
a agulha
o telefonema sem volta

todo o meu corpo
não consegue atravessar
porque é tão real
dolorosamente
comprida
a vida

mas a perda daquela senhora
mas a saliva na comida fria
mas a certeza daquelas máquinas
donas
dos corações / da pele suja/
do útero/ da dor
mas a finitude
a mortalidade de todos
aqueles sonhos

entendem a penitência
quando levantam da cama

e tudo escurece.

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